Enfim finalizei minha passagem pela cidade do Rio de Janeiro. Neste momento, o sentimento é de um desejo consumado, já que desde pequeno tinha grande interesse em conhecer a cidade.
Considero o contato ainda superficial. Isso se deve tanto ao pouco tempo de estadia quanto pela localização em que estive hospedado e pelo itinerário que cumpri em meus passeios, restritos a zona sul do Rio.
Um balanço da minha experiência na cidade, portanto, se ampara ao meu conhecimento prévio, relacionado ao papel da cidade na formação política e cultural do país, bem como na região em que estive situado.
A começar pela paisagem: não há dúvida da beleza imponente dos seus cartões postais. Suas praias são maravilhosas, as ruas são limpas, a infraestrutura de lazer é vasta para quem quer praticar diversos esportes. A fauna e a flora são ricas, os voos dos pássaros como parte integrante da paisagem marítima são canções que dão vida ao horizonte. As montanhas recordam o aspecto tradicional da cidade, exercendo um papel de conexão espiritual, correspondente a um centro hierárquico ('axis mundi').
Do Pão de Açúcar se tem uma paisagem encantadora, uma visão panorâmica da cidade, com vistas a importantes pontos da capital, como a Baía de Guanabara, fundacional para o desenvolvimento da cidade e relevante porta de entrada para o Atlântico Sul, proporcionando a cidade seus tons de cidade anfíbia.
O ambiente de Copacabana e Ipanema, me fizeram observar de perto o 'laboratório' pelo qual se desenvolveu a 'Bossa Nova'. O samba intimista, a voz sussurrada e o sincopado do violão, está claramente associado ao clima de apartamento, adaptado à vida urbana de classe média. A temática presente nas letras de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, como sol, praia, dentre outras riquezas naturais estavam grafadas em meus olhos, a vida urbana do Rio é uma fonte rica de poesia, genialmente explorada.
Em relação ao tema polêmico da violência, ao menos nos lugares em que estive, não acho que passei por situações de grande perigo. Copacabana me parece ser um bairro seguro. Ipanema, idem.
Com exceção de duas situações pontuais, uma vivenciada no bairro da Lapa, como uma possível tentativa de roubo, e outra, em um momento um tanto cômico, quando a vizinha doida peruana que estava hospedada no mesmo apartamento que eu me fez ir até a delegacia de apoio ao turista e depois caminhar pela orla de Copacabana à procura de seu namorado de nome "Jesus", a região me pareceu segura.
Por fim, o povo carioca é gentil e hospitaleiro, e há muitas opções de bares e boates para quem quer viver uma noite boêmia carioca acompanhado de um bate papo caloroso. A gastronomia é excelente e a cidade é repleta de atividades culturais, como museus, teatros e a famosa biblioteca imperial, que infelizmente, não consegui visitar. De resto, não acho que seja necessário tanto dinheiro para quem quer passar de três a quatro noites pela cidade.
Fico feliz pela experiência vivida. Essas considerações são genuínas impressões que tive da cidade, mas convenhamos que para a cidade que abrigou a capital do império, e que desde então abriu uma vasta tradição simbólica para vocação imperial brasileira, considerações mais aprofundadas são necessárias. Talvez em um futuro retorno.
