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sexta-feira, 3 de março de 2017

Libertinagem a serviço do capital




Em civilizações anteriores a prática sexual não visava apenas o prazer, o sexo possuía um status de sacralidade, uma via de adoração e até de purificação. Mesmo em momentos onde o sexo era praticado em grupo, essa configuração constituía uma forma de celebração de culto aos deuses, não possuindo qualquer equivalência com o hedonismo moderno, onde o sexo é visto de forma mecânica e reduzido a meras necessidades biológicas. 

Entre os gregos isso se expressava nas festas dionisíacas, dotada de sacrifícios de animais, festas com mascaras, tochas, e é claro, sexo. Na civilização Vikings, temos por exemplo, as festas que ocorriam em Gamla Upsala (Suécia Central) - muito bem retratada pela série Vikings - incrementada por sacrifícios humanos, animais, dança, música e sexo em culto a deusa Freyya. Entre os romanos, o falo (pênis) era usado como simbolo religioso, capaz de afastar o azar e as influências maléficas. Festas como Lupercália, Florália, louvavam a fertilidade e por conseguinte o sexo. A sexualidade era uma categoria religiosa tão importante no pensamento romano [e em outras civilizações] que explicava inclusive a origem dos deuses. Fundamental para concepção de divindade e compreensão da origem de cidades [1]. 

Na esfera privada ligada a família, associado as necessidades de reprodução, não era diferente. Gerar um filho é impulsionar energias sexuais masculina e feminina em busca da "unidade perdida". A mulher, portadora de um potencial reprodutor em dar luz a um filho se equiparava ao mais valoroso dos homens, diferente de hoje, em que no contexto do capitalismo se transformou apenas numa peça de substituição para grandes corporações[2].

A esquerda politica, em sua fase pós-moderna, parece não saber lhe dar muito bem com o tema "sexo". Se aprisionam em grupos fechados reivindicando o que entendem por "liberdade sexual", forjando pérolas do século passado como "É proibido proibir" "Faça sexo, não faça guerra". A verdade é que o sexo faz parte da vida, só que não é A vida. Isto é, o mundo não se encerra, não se limita e não se reduz a prazeres sexuais e outros desejos solúveis e imediatos. Ademais, o culto e a busca hiperbólica aos prazeres sexuais se retro-alimentam de forma a gerar disfunções psíquicas e físicas, ou seja, curiosamente gerando dor e sofrimento[3]. 
O que assistimos até agora é parte de um projeto muito bem arquitetado pelos donos do mundo e que até hoje tem obtido sucesso. Grande parte da esquerda politica distanciou-se de seu histórico de luta aderindo ao hedonismo pequeno-burguês e não dando a atenção devida as necessidades fundamentais da classe trabalhadora, em outras palavras, gerando alienação em seu meio. As ligações da CIA com o famoso "maio de 68", as ligações de grupos de libertação sexual, entre outros movimentos ( feministas, racialistas e LGBT's ) sendo sustentados por grandes empresários e banqueiros como Rothshild, Warren buffet, Rockfellers, George Soros são insight desse projeto[4]. Qual não foi a capitalização da industria pornográfica com a luta de liberdade sexual no século passado? Quantos males foram causados por isso? Qual foi o lucro? [5 texto importantíssimo]. Como o lobby da pedofilia obteve seu sucesso por meio desse clima de êxtase, sintetizado na frase "toda forma de amor é válida" e tendo como principais agentes, filósofos e pensadores como Michael Foucault, Deleuze, Simone de Beauvoir, Sartle etc.?[6]




Para fins de esclarecer as raízes e alicerces do que foi supracitado, lembremo-nos do conceito de "sociedade liquida" [ou pós-modernidade, como quiserem] do filósofo Zygmunt bauman, falecido a pouco tempo, esse conceito é usado para descrever a sociedade contemporânea (consequência do liberalismo, filosofia nascida no berço do iluminismo). A "sociedade liquida" é uma época de fluidez, volatilidade e incerteza, sem referência moral, artificial, em contraste com a época anterior chamada por ele de "sociedade sólida" em que perdurava os laços orgânicos de sociabilidade (religião, família, pátria, classe, comunidade). O consumismo e o individualismo passam a se tornar a lógica da forma de organização da sociedade, todas as concepções de ordenação orgânicas da sociedade (religião, família, pátria, comunidade) são repelidas, vistas como atrasadas ou opressoras. Como os laços orgânicos de sociabilidade já não co-participam na formação da identidade do individuo, ele a busca através do consumo, forjando uma identidade artificial por meio dos chamados "estilos" e buscando referências em grupos suburbanos. O individuo vive em crise de identidade e se torna uma embalagem. As pessoas passam a se relacionar por meio do consumo, as relações sociais são transformadas em mercadorias. O relativismo, a ideia da não existência de uma verdade absoluta, cada um possuindo a sua verdade, acaba sendo usada como sustentáculo para o relativismo moral, e por conseguinte a libertinagem. A defesa de um mundo sem fronteiras, globalizado [ou com fronteiras frouxas] permitindo a livre circulação de capital e pessoas, e a atomização da sociedade se torna agenda do grande capital[7]. A vida passa a ser interpretada como um projeto individual. 




Na sociedade pós-moderna as grandes narrativas (ideologia, religião etc.) passam a serem rejeitadas, o que importa são as mini-narrativas, a "vivência" do individuo. No entanto, filósofos pós-modernos ao trabalharem com a ideia de superação da modernidade, firmada nos alicerces da sociedade capitalista embutida dos valores iluministas acabam servindo justamente como amparo dessa mesma sociedade, uma vez que na verdade não a superamos. 

Por fim, essas são as consequências nefastas da ideologia liberal: dissolução de todos os laços orgânicos da sociedade, sua atomização e promoção da libertinagem, endossado inclusive por muitos movimentos sociais como, por exemplo, o feminismo que trabalha desde suas origens com os mesmo pressupostos (autopropriedade, relativismo moral, auto-suficiência). 

No mais, faço aqui as palavras de  Guillaume Faye, escritor e jornalista francês, teórico do conceito de Arqueofuturismo, que descreveu muito bem em seu texto A farsa da libertação Sexual[8], a contradição dos movimentos de libertação sexual e a formação de um contingente de frustrados e solitários sexualmente : "A sexualização universal da sociedade triunfou à custa do bem-estar pessoal e da sexualidade equilibrada. As mídias conectam a sociedade em um gigante universo sexual virtual, um simulacro feito de imagens e palavras. Esse mundo onírico consistindo de todas as formas de erotismo – desde a doçura do amor sexual benéfico e equilibrado até às fantasias orgiásticas da pornografia – virou um ideal de massa, mas um inferno no nível individual: o imperativo categórico da satisfação sexual se tornou impossível de atingir. Sonha-se com bolo de chocolate, mas não existe nenhum bolo de chocolate."

"
Nota: Reforçando o que já foi supracitado para não haver desentendimento: o texto não fala mal de sexo, não diz para você não fazer sexo, não foi escrito por um puritano (muito pelo contrário) e não tem por objetivo passar essa imagem. Procuro sim desfazer essa confusão sobre o tema traçando aqui o perfil de sociedades antigas frente a questão, delineando sobre a ideologia (liberalismo) responsável e os grupos de poder envolvidos.

Nota 2: Curiosidade para alguns (exceto para mim), a geração atual (geração Y) é a que menos faz sexo[9]. Segundo Guillaume Faye, o não estabelecimento de um limite, uma ordem clara entre o proibido e o aceitável, o normal e o depravado, acabou gerando aquilo que os próprios movimentos de libertação sexual tanto lutaram: um puritanismo brusco, mais forte que o puritanismo burguês. Diria Hegel: "A pura liberdade de escolha, fora de um contexto de valores, não passa de uma abstração nula e vazia". 

Referências:


[2] Aqui o pensador francês Alain Soral faz uma resenha histórica do feminismo e demonstra sua ligação como elemento chave do capitalismo: https://www.youtube.com/watch?v=ZbVE8f9fpXU  


[3] http://wearetime.blogspot.com.br/2017/04/efeitos-da-indulgencia-sexual-sobre-o.html
http://doutorcesar.com.br/pornografia-masturbacao-e-lesao-cerebral/