Ao mesmo tempo que temos um antimarxismo, temos também um antiliberalismo;
Ao mesmo tempo que a base de sustentação do fenômeno fascista se dá em torno da classe trabalhadora (o corporativismo sindical do mesmo), há também sua antipatia pela "luta de classes";
Ao mesmo tempo que temos a defesa pela propriedade privada, temos também seu enaltecimento a intervenção estatal (na Itália, por exemplo, grande parte das industrias eram controladas pelo Estado);
O fascismo preconizava nada mais que a desintoxicação das instituições que davam base para as democracias liberais burguesas, para dai passar a organização e colaboração de todas as classes em torno da figura do Estado e formação de uma nação orgânica;
O fascismo negava o Estado como um instrumento para os interesses individuais, ao contrário disso, via o Estado como entidade balizadora das liberdades que não percebia apenas indivíduos ou classes, mas reunia todos numa mesma realidade moral e econômica.
A maioria de seus teóricos e lideres eram ex-marxistas e tiveram um papel importante na implementação das doutrinas sindicalistas de George Sorel, o próprio Mussolini, por exemplo, era um ex-marxista;
O apelo a disciplina e a ordem é possível encontrar em regimes tanto de direita (Pinochet) quanto de esquerda (URSS).
Estamos tratando de uma ideologia que se encaixa na chamada "terceira posição" (terceira posição, não terceira via!), uma superação entre esquerda e direita, que a luz da época eram monopolizadas pelo marxismo e pelo liberalismo.
Você pode continuar tentando encaixar essa ideologia no seu mundinho superficial esquerda/direita, mas vai ficar ai que nem um bobalhão vociferando "uurr durr viu, ele defendia propriedade privada, direita!" "urr durr, olha só, tem socialismo no nome, esquerda!" e não vai entender nada.
Essa confusão na internet é obra de propagandistas de todos os lados, e de um revisionismo histórico anêmico.
Abaixo, um cartaz propagandista do Fascismo.


